
As línguas cumprem as promessas dos olhos
O beijo sorve, devora e aumenta a sede, a fome
De provar além do calor da boca e do hálito quente
A pele em brasa arrepiando-se a cada toque
Desbravar a geografia dos gemidos, com os dentes
O corpo, uma tela viva e ofegante, doce
A língua desliza desenhando círculos de fogo
As mãos agarradas nos cabelos, nos lençois
Enquanto os dedos passeiam inocentes
Roçando levemente, as unhas, trilhas vermelhas
Na maciez sensível da pele exposta e húmida
No calor infernal do quarto, o paraíso no pecado
A cada nova onda a quebrar contra o corpo
Mais e mais se aprofunda a invasão permissiva
Abrem-se as pernas, velas entregues á tempestade
Uma chuva de suor e esforço, uma dança de dois loucos
Feras a se entregar um ao outro.
A provocação do prazer é o diálogo dos sussuros
O fim de ambos pode ser mesmo o fim do mundo
Nem a morte tira o que se conquista quando se entrega
A alma e o corpo para serem consumidos juntos
Na fornalha dos desejos mútuos
Perder a batalha é ganhar mais um dia de vida
Uma manhã com cheiro de café e o barulho do chuveiro
E o sorriso sincero ao lado, preguiçoso e feliz
De ter o que sempre quis, renovado a cada aurora.
Postado por : e agora José ? (ver blogue)
ADOREI !!!
Lindo texto e pintura fantastica
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